22/06/2019 às 16h02 |

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Eu imaginei, quando jovem no movimento estudantil, que valia a luta para que a humanidade, principalmente os povos mais humildes e carentes, viesse a ter acesso aos benefícios de uma indústria que se desenvolvia e se desenvolve na produção de bens , assim como a tecnologia que oferece maior e melhor conforto e conhecimento.

 Durante o período de infância convivi com as notícias sobre as atrocidades da segunda guerra mundial, a ascensão dos regimes de esquerda a partir do leste europeu, movimento feminino pela igualdade de oportunidade do trabalho e da renda, de defesa do meio ambiente reflexos da revolução industrial. Na adolescência ampliação dos regimes de esquerda na Europa, Ásia, na américa central, do Sul e na África.  Continuidade das sangrentas guerras no golfo persa e na Cisjordânia, recrudescimento das ações terroristas, morte de Getúlio Vargas e de Juscelino, renúncia de Jânio Quadros, deposição de João Gullar, implantação de governo militar no Brasil.

Algo teria que ser feito, os regimes (monarquista, parlamentarista e presidencialista), tanto de esquerda e de direita se mantiveram colonialistas com outra versão sobre o domínio geopolítico e da proliferação de armas atômicas. A miséria, a fome e a violência se alastram na África, na Ásia, nas américas central e do sul. A globalização da economia ocasiona milhões de refugiados, desempregados e subempregados.   
Atualmente os países europeus dão lugar às práticas de direita, tanto no núcleo governamental como nas atividades comerciais a partir do Mercado Comum Europeu, do Mercusul, na América com grande impacto social em relação ao desenvolvimento econômico, direitos individuais e do acesso ao trabalho.

A experiência brasileira da social democracia abre espaço, no fim os anos 90, para que um governo progressista originário dos trabalhadores chegue ao poder. A euforia, a esperança chegam aos nossos corações. A economia volta a crescer, o mundo volta seus olhos e respeitam a nova trajetória desenvolvimentista brasileira. Os negros, os mais carentes chegam à universidade, o respeito às opções de gênero se reestabelece como política governamental, os salários são recompostos em suas perdas. Obras de infraestrutura, moradias e serviços urbanos ocorrem nos quatro cantos. Recuperamos a dignidade o e orgulho de ser brasileiro.


Mas, todo a euforia não deixava perceber uma aliança com os velhos defensores da política prejudicial à população, voltada para a acumulação dos grandes grupos empresariais, os interesses de grupo e pessoais, sob o argumento de garantir a governabilidade.  Viveu-se momentos mágicos, de acesso aos bens de consumo, moradia, mobilidade urbana e hoje paga-se um preço alto.

O momento atual do Brasil é preocupante. Não se conhece um plano de governo que indique para onde estamos caminhando, onde se pretende e vamos chegar. O novo presente foi eleito em um clima de divisão e acirramento da população. O clima permanece com grandes consequências para a governabilidade. Mas, o sonho não acabou. Muita água ainda passará por baixo da ponte. Quem viver verá.

 

Adelmo Borges
 

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