01/12/2020 às 21h07 |

Vereador eleito pelo PT, Tagner pretende defender a participação efetiva da população na Câmara

 

Nascido em Feira de Santana, mas camaçariense de coração, já que ainda com dias de vida seus pais o trouxeram para morar no bairro da Gleba C, Tagner Cerqueira, 33 anos, foi eleito vereador no pleito do último dia 15 de novembro com 1.369 votos. Um dos mais jovens da nova legislatura, o petista pretende democratizar o acesso da população as decisões da Câmara Municipal.

Em entrevista ao Portal, Tagner contou como iniciou na política. “Estudei na escola Polivalente da 5ª ao 3º ano, e foi lá que começou meu interesse, quando participei do grêmio estudantil, dos movimentos estudantis e sociais. Depois estagiei no Fórum onde descobri a minha vocação pelo direito. Sou formado em direito e participei do diretório acadêmico da faculdade. Sempre fui militante político, milito na política da cidade, gosto de discutir política, sempre estou envolvido nessas pautas. Fui assessor parlamentar de Marcelino e fiz parte da gestão de Teo Ribeiro quando presidente da Câmara”.

O interesse e a decisão em se candidatar vereador veio após ser diretor do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (CEPED) do governo da Bahia. “Foi uma grande oportunidade. Comandei uma empresa de 49 anos de serviço prestado no estado, uma empresa forte e renomada, onde descobri mais uma capacidade, que é ser gestor público, foi aí que surgiu o desafio de colocar o meu nome para ser vereador, na perspectiva da renovação da política, da inovação da forma de fazer política, de junto com os novos pares pensar uma nova Câmara”, explicou.

Sobra a atual Câmara de Vereadores, Tagner destaca que durante a campanha fez algumas críticas sobre a qualidade dos debates, o andamento da casa e pretende defender mudanças, em especial no horário das sessões. “A gente não pode mais continuar com esse discurso na tribuna sobre meio-fio, troca de lâmpada, quebra-molas, esses assuntos não podem ocupar o tempo de uma sessão. Tenho conversado com alguns colegas que foram eleitos, de que a perspectiva em cima de nós é muito grande, que nós não podemos ficar na zona de conforto, a gente tem que sair dessas terças e quintas, as sessões na Câmara precisam voltar para a noite, porque a grande maioria da cidade que quer vir na sessão trabalha nesse horário. O público que frequenta o plenário da Câmara é o que está próximo ao gabinete do vereador, e o cidadão que quer participar, que quer contribuir não pode. A assessoria é importante participar, mas mais importante ainda é o povo estar aqui dentro e acredito que essa alternância do horário traga de novo o cidadão para discutir cidade na Câmara”, ressaltou.

Aproximar a Casa Legislativa dos moradores da costa também é outro projeto de Tagner. “Vou discutir com os colegas a Câmara itinerante. Ela não pode ficar inerte, parada, ela tem que se movimentar. Durante a campanha andei toda a cidade, conheço todos os distritos de Camaçari, do Mutirão de Abrantes, a Catu, a Sucupió, Tiririca, Baratas, Lodo e as pessoas não conhecem nem os vereadores, não têm acesso ao que se discute na Câmara, então nós vereadores precisamos ir lá, e é fácil fazer isso, porque cada distrito tem uma escola, a gente monta a plenária da sessão, convida a comunidade, bota os secretários e chama os moradores. Uma vez no mês a gente vai até um bairro, um distrito, enfim, rodar a cidade, para ouvir as demandas, colocar as pessoas para participarem, voltar com a tribuna cidadã, o direito a fala”.

Em relação a Camaçari que sonha como gestor público, Tagner pontua que pretende ajudar a gestão a construir uma cidade não para os próximos quatro anos, mas a longo prazo. “Não dar para a gente aceitar que agora, um morador de Açu da Capivara não tenha transporte público, que ele precisa atravessar o rio para chegar na Linha Verde. Que uma moradora de Coqueiro de Monte Gordo não tenha acesso a Camaçari por falta de transporte. Nesses locais as pessoas estão esquecidas, não tem Cras, não têm saúde, não têm dignidade. Andei muito a cidade e vi que o desemprego é o pior problema de Camaçari. É preciso que a gestão junto com a Câmara busque alternativas de atrair empresas, é preciso trazer investimentos para a cidade. É doloroso você ver um cara que é formado, que é advogado estar rodando de Uber. Sou vereador de oposição, mas eu preciso ajudar a melhorar a vida das pessoas. A nossa cidade é privilegiada porque tem recursos, mas é preciso saber como gastar. Só de aluguel o custo é enorme, é preciso redistribuir esse orçamento. Eu sonho com uma cidade pujante, forte, onde a autoestima do povo esteja elevada, uma cidade com uma cultura viva, que a Cidade do Saber volte a funcionar, que termine essa história de Camaçari sede e orla, que seja uma só”.

Questionado sobre o fato de fazer parte do Partido dos Trabalhadores, que já governou a cidade, e os mesmos serviços que relatou não chegar em muitas comunidades através da atual gestão, não ter sido levado também por seu partido segundo a base governista, Tagner declara que eles não fizeram 100%, mas que o governo do PT ampliou muito em sua opinião. “O Açú da Capivara tem uma escola construída em nossa gestão, em Coqueiro de Monte Gordo tem um posto de saúde construído em nossa gestão, segundo relatos dos moradores na nossa gestão tinha transporte, a atenção que esse governo não dar, o nosso dava a essas comunidades. Não vou dizer que não tivemos erros, só que o nosso governo dialogava, as pessoas tinham acesso direto ao gabinete do prefeito, tinha o orçamento participativo e tinhas as lideranças. Nesse governo eu lhe garanto que devem ter três a seis secretários que não sabem chegar no Açú da Capivara, chegam a base de aplicativo de localização, porque não tem conhecimento, quem comanda as pastas não tem acesso a realidade da população”.

Se tratando de transporte público, o vereador petista acredita que já passou da hora da Câmara fazer esse debate. “Tenho dito que não dá mais para empurrar com a barriga essa licitação e eu vou provocar essa discursão. Não dá mais para uma cidade grande como Camaçari não ter um transporte público regulamentado. Feira de Santana tem, Salvador tem, Barreiras tem, Vitória da Conquista tem, então é preciso chamar todos os atores que fazem transporte como o ligeirinho, o mototaxista, o motorista de aplicativo e discutir qual o tipo de transporte que nós queremos, porque o cidadão é quem está pagando essa conta. As pessoas não estão tendo o direto de ir e vir. Na orla é pior ainda”.

Tagner ainda falou sobre o resultado das urnas. “Elas falam e mandaram um recado muito grande para essa casa, que ela precisa melhorar sua imagem, que precisa realmente abrir para o povo participar, ir até o povo, sair da zona de conforto. Tenho conversado muito com os meus colegas parlamentares e no parlamento o palanque terminou, a eleição terminou dia 15 e agora temos que discutir a cidade”.

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