Publicado em 16/10/2018 às 17h03 | |

“Se você vira as costas para a ciência, está virando as costas para o futuro”, afirma Marcelo Gleiser no Fronteiras Braskem do Pensamento

A conferência do físico teórico, professor e escritor encerrou a temporada 2018 do projeto, na noite dessa segunda-feira (15), no Teatro Castro Alves, em Salvador

 

“Não teria tragédia maior, nesse mundo mágico da revolução digital, do que a gente esquecer que somos seres capazes de amar e de se relacionar”. Com essa afirmação, o físico teórico, professor e escritor Marcelo Gleiser encerrou a temporada 2018 do Fronteiras Braskem do Pensamento, na noite dessa segunda-feira (15), no Teatro Castro Alves, em Salvador. Sobre as discussões éticas e comportamentais deste futuro tecnológico, Gleiser teme que “a gente fique cada vez mais escravizado por essa dimensão digital, menos humano, menos capazes de se apaixonar, de manter relações diretas um com o outro, porque vai virar tudo digital, tudo virtual”.

 

Com o tema central O Mundo em Desacordo: Democracia e Guerras Culturais, a temporada 2018 do Fronteiras Braskem do Pensamento trouxe a Salvador o escritor angolano José Eduardo Agualusa, o filósofo francês Gilles Lipovetsky e o historiador gaúcho Leandro Karnal. Patrocinado pela Braskem e Estado da Bahia, o Fronteiras Braskem do Pensamento é uma realização da Caderno 2 Produções Artísticas. A conferência de Marcelo Gleiser foi apresentada pelo doutor em Filosofia, Eduardo Wolf, curador-assistente do Fronteiras e teve como tema Imortalidade, Transhumanismo e o Futuro da Humanidade: Um Mundo Mágico ou Trágico?

“Não é ficção cientifica, essa revolução já está acontecendo. Esse processo é irreversível e hoje nós já somos meio que ciborgues”, ressalta o físico formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutor pelo King’s College, da Universidade de Londres, na Inglaterra. Ele afirmou, ainda, que já somos transhumanos, através do uso de celulares, identidade virtual, órgãos e membros artificiais, como próteses de fibra de carbono. “A robotização crescente das sociedades pode ser boa, para trabalhos perigosos, como de exploração do petróleo, mas por outro lado acaba gerando o desemprego e um enorme desequilíbrio social”, afiança o conferencista.

Ele garante que estamos vivendo uma segunda revolução na história da humanidade. “A primeira grande revolução foi a industrial e essa segunda é da era da digitalização das sociedades. Ninguém mais grava número de telefone, por exemplo, por que a nossa memória foi estendida para as máquinas”, explica. Professor de física e astronomia na Dartmouth College (EUA) desde 1991, Marcelo Gleiser lamentou os cortes de investimentos para a ciência no Brasil. “Se você vira as costas para a ciência, está virando as costas para o futuro e é o que, infelizmente, está acontecendo no país”, lamenta.

Reconhecido internacionalmente no meio acadêmico, Marcelo Gleiser é autor de best-sellers como A dança do universo (prêmio Jabuti de 1998), O fim da terra e do céu (prêmio Jabuti de 2002) e Criação imperfeita, livros traduzidos para diversos idiomas e que abordam como as mais complexas teorias estão interligadas ao cotidiano. Outra revolução que já está acontecendo, segundo o teórico, é da engenharia genética. “Futuramente você poderá ter um design baby, ao poder escolher características genéticas, físicas e comportamentais dos filhos”, prevê.

Quanto ao futuro, Gleiser é pessimista. “Uma corrente positiva diz que haverá uma convivência de hibridização do humano com a tecnologia. Já outra vertente, acredita que as máquinas vão dominar o futuro da humanidade e que os computadores poderão decidir que a espécie humana é obsoleta”.  O professor afirmou, também, que é preciso preservar, em meio a esta revolução toda, o que é fundamental para a humanidade, que é a capacidade de se relacionar, de se aproximar fisicamente e emocionalmente um do outro. “Um dos males da modernidade é nosso afastamento sistémico da natureza, do nosso lado animal, da nossa relação com o planeta”, afirma Marcelo Gleiser.

 

SOBRE O FRONTEIRAS BRASKEM DO PENSAMENTO

O Fronteiras Braskem do Pensamento é um ciclo de conferências alinhado ao projeto cultural múltiplo Fronteiras do Pensamento - www.fronteiras.com - que aposta na liberdade de expressão intelectual e na educação de qualidade como ferramentas para o desenvolvimento. O Fronteiras do Pensamento realiza anualmente edições em Porto Alegre e São Paulo, e na edição especial em Salvador abre espaço para o debate e a análise da contemporaneidade e das perspectivas para o futuro, apresentando pensadores, artistas, cientistas e líderes que são vanguardistas em suas áreas de pesquisa e pensamento. Os valores básicos do projeto são o pluralismo das abordagens, o rigor acadêmico e intelectual de seus convidados e a interdisciplinaridade de ideias. Por isso o Fronteiras Braskem do Pensamento já trouxe a Bahia importantes nomes como Enrique Peñalosa, Leymah Gbowee, Wim Wenders, Edgar Morin, Manuel Castells, Contardo Calligaris, Luc Ferry, Salman Rushdie, Jean-Michel Cousteau, Valter Hugo Mãe, Mia Couto, Camille Paglia e Graça Machel, entre outros.

 

Sobre a Braskem

Com uma visão de futuro global, orientada para o ser humano, os 8 mil Integrantes da Braskem se empenham todos os dias para melhorar a vida das pessoas, criando as soluções sustentáveis da química e do plástico. É a maior produtora de resinas das Américas, com produção anual de 20 milhões de toneladas, incluindo produtos químicos e petroquímicos básicos, e faturamento de R$ 55 bilhões em 2016. Exporta para Clientes em aproximadamente 100 países e opera 41 unidades industriais, localizadas no Brasil, EUA, Alemanha e México, esta última em parceria com a mexicana Idesa.

 

Rafael Veloso

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