Publicado em 23/06/2019 às 16h28 | |

Parada do Orgulho LGBT começa com tom político e reúne famílias na Paulista

 


A 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo assumiu o caráter de movimento político e de oposição ao governo Jair Bolsonaro. “Resistência” é a palavra mais repetida entre os participantes do evento, que teve início por volta do meio-dia neste domingo, 23. Expectativa dos organizadores é a de reunir 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista.

Ainda na concentração da parada, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) puxou uma vaia contra o presidente. Além de críticas ao governo, a Parada também reforçou a defesa da decisão do STF que criminalizou a homofobia. Gritos de “Lula Livre” também foram ouvidos no início do evento.
Os primeiros discursos oficiais reforçaram o tom político. A ex-prefeita de São Paulo e senadora Marta Suplicy afirmou que essa é “a mais importante Parada da história”. “É a luta contra todo o retrocesso civilizatório que tem se apresentado”, completou Marta.

O deputado federal David Miranda (PSOL) também reforçou a ideia de que a Parada é um movimento político. “Esse é um

movimento contra um projeto de poder que atenta contra as nossas vidas. Uma Parada que ganha mais importante porque temos um presidente declaradamente homofóbico”, afirmou.

Entre os participantes, muitas famílias que foram ao evento para apoiar filhos e amigos. “É a minha primeira vez . Eu era uma pessoa com muitos preconceitos. Meu filho me ensinou a ver a vida de outro jeito. Hoje estou aqui para apoiá-lo", comentou Lourdes Fragoso, de 66 anos.
“Sou hétero, mas estou aqui pelos meus amigos. Vivemos um período de perseguição e violência contra a comunidade gay. Não vou soltar a mão deles. Mexeu com eles, mexeu comigo", falou o engenheiro Hernandes Souza, de 32 anos.

O prefeito Bruno Covas chegou ao vão livre do Masp por volta das 13h15. Em entrevista coletiva, Covas disse ser importante que a cidade de São Paulo continue sendo palco de manifestações contra ou a favor do governo - ressaltando que no mesmo feriado aconteceram a Marcha para Jesus e agora a Parada LGBT.

Sobre as críticas ao governo federal e o presidente Jair Bolsonaro, Covas não quis se aprofundar, mas voltou a repetir críticas sobre a demissão de diretores do Banco do Brasil por contratarem atores e atrizes da comunidade LGBT para um comercial. “ A gente espera que isso não seja uma política de governo”.

O prefeito afirmou que a cidade de São Paulo “celebra a diversidade” e que pretende ser referência mundial em termos de direitos humanos”.

Atrações da Parada do Orgulho LGBT
A Parada conta com 19 trios elétricos e a participação de uma ex-integrante do grupo Spice Girls. A concentração ainda acontece na frente do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Em seguida, a passeata desce a Rua da Consolação até a Praça Roosevelt.

Para esta edição, a atração mais aguardada é o show da cantora Melanie C, ex-Spice Girl. Também estão confirmadas Aretuza Lovi, Gloria Groove, Iza, Lexa, Luísa Sonza e MC Pocahontas.

Às 19 horas, um palco montado na Praça da República receberá shows. O tema deste ano é "50 anos de Stonewall - nossas conquistas, nosso orgulho de ser LGBT+". Ele relembra a série de manifestações da comunidade LGBT contra batidas violentas da polícia de Nova York em um bar, o Stonewall Inn, no fim da década de 1960.

Estadão

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